
Escritora marginal, mulher, campo-grandense, sul-mato-grossense, brasileira e sul-americana, escreve a partir da margem não como escolha estética, mas como condição de existência. É desse lugar que observa o mundo e suas desigualdades, consciente também de como é vista — muitas vezes de forma incompleta. Cronista por insistência, faz da escrita uma permanência: seus textos nascem do que retorna, do que pesa, do que não se resolve, afirmando vida e linguagem mesmo onde tentam reduzir tudo à margem.
Seu livro reflete essa mesma consciência. Mais do que reunir crônicas, investiga o próprio ato de escrevê-las. A metalinguagem estrutura os textos, que expõem sem disfarce o gesto de transformar a miséria em palavra. Assim, a crônica se torna também comentário sobre si, revelando o desconforto de narrar o cotidiano e evidenciando como a linguagem participa de um ciclo contínuo de registro e repetição.
