UBE/MS lança a Revista Piúna

Por que Piúna?
Por Sylvia Cesco

Foi bem assim, desse jeitinho: aprovada por unanimidade a criação de uma Revista digital da UBE/MS, previamente proposta pela Diretoria recém-empossada, era preciso dar-lhe um título. Algo sugestivo, singelo, sem rebuscamento, e que estivesse relacionado à terra sul-mato-grossense.

Solicitamos aos associados algumas sugestões. No final, restaram três nomes: Seriema, Monjolo e Piúna, todos eles cumprindo os critérios anteriormente citados. Nestes céleres tempos que estamos vivendo, os signos linguísticos vêm a eles se adequando, ficando cada vez mais reducionistas, metonomínicos e libertários.

Assim, de modo natural, dentre os três foi escolhido o nome Piúna, sugestão da poeta Raquel Medina, nossa associada. Disse-nos ela que a palavra lhe foi lembrada pelo pai, humilde trabalhador braçal em terras pantaneiras, que passou cerca de 40 anos construindo cercas, pontes e porteiras, e seus descansos eram sob a sombra dessas árvores, também conhecidas como piúvas ou ipês-roxos, que cobriam o chão de flores. Estas árvores também florescem nas regiões do cerrado.

O Centro Nacional de Conservação da Flora nos ensinam ainda que: “Seus frutos podem ser consumidos in natura ou sob a forma de sucos e geleias. São madeiras de lei e não devem faltar em projetos de revejetação permanente.” E o mais importante: Essa árvore não corre risco de extinção. A palavra Piúna, pois, carrega em si uma bela metalinguagem para indicar o ideal democrático que embasa esta Revista da UBE, toda diagramada pelo nosso atual Vice-presidente Rogério Fernandes Lemes.

Com a palavra, a autora da sugestão do nome, poeta sul-mato-grossense, Raquel Medina:

Piúna
(Raquel Medina)

piúna! piúna!
o lilás da sua pluma
arvoreceu no meu quintal
memórias de ninhos e flores tatuados
no chão da paisagem do meu velho
o meu velho pantanal
ancião deste cerrado.

além do tempo cidade,
lá no coração do mato,
piúnas estendem além-cores
casca e flores
curam-dores
do corpo da gente
que aprendeu árvore ser
e florescer nos pantanais
lonjura de qualquer cidade.

toda gente deveria
sete vezes ao dia
poder árvore ser
sublimar cimentos
isso fazem os passarinhos
por isso voam nos aléns
do azul de pedras
que a cidade inventa
nas árvores sem ninhos.

o velho pantaneiro,
de suor e lembranças a escorrer pelo rosto
à flor da pele – pontes, porteiras e outros caminhos
vergões, verões e primaveras
à flor da árvore
arvoreceu ninhos na voz
e passarinhos nas esperas
esticando lunas
à sombra de Piúnas.

árvore ser
é olhar de passarinho
espera de luas além do céu que a gente respira
além-cidade e becos
sentir a terra à flor da árvore
ver à flor da pele
desde o vento do cerrado,
aos corixos do pantanal,
nossa extensão
e nosso ancião,

a cidade,
feitura de chão
agasalhada de concreto e asfalto
tem necessidade de florir pela terra,
à flor da pele pluma
útero de chão
na insistência das flores
respira
quando a raiz explode o cimento
a cidade ganha poema
árvore e palavra
Piúna
alivia concretos no coração.

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